De um tempo pra cá tudo que eu vejo e toco vira poeira
No chão que era seu quarto eu lembro que o sol batia de leve
E crianças brincam no jardim do lado de fora que agora é deserto
O vento bate mais frio do que o ar que saia da boca das pessoas
E no jornal que eu costumava ler pelas manhas não sai mais noticia
Pasmo, cego e louco.
Pessoas me chamam pelo o nome, mas não sei de onde vem.
Queria poder olhar pra mim, me ver, me ver poeira também.
Abro meus olhos vejo meu braço e nada acontece
Assopro a poeira entre meus dedos e tudo continua ali
Sou imune a mim mesmo
Aos meus medos
Ao meu mundo
A minha mente
Se eu conseguir ver um espelho vou poder dizer a mim mesmo
Que tudo transformei em poeira foi por vontade própria
Mas que agora, não sei andar sozinho.