Pela Manhã

Cedo acordei, sonhando estar dormindo.

Desejando ser chuva lá fora

Para banhar-me flutuo pelo ar úmido

Livre

Despertei atrasado e real

Com minhas mãos ao peito

Dividindo a antes pedra que havia aqui

Hoje a chuva tanto bateu que a pedra se foi

Escorreu num rio negro e se afogou

Mas a carne permanece rasgada ao meio

E é no fim de um dia que o rasgo machuca

Ao ver que estou de pés no chão

E que feito de pedra ou carne

Até sonhando há alguém que ainda faz doer.