Meu sonho de criança

Meu sonho é ser...
Um poeta sem sensibilidade
Um verdadeiro canalha
Que escreve em folhas sujas.
Sinceramente
Queria ter amantes
Varias delas
Queria luxuria e abundância
E ser amado pelo que tenho
e não pelo que sou
Eu queria ser outro que não eu
Quero tudo que não tenho
Pois quem é assim, me parece feliz.
Quero ser isso e todas essas coisas
que criança diz que deseja ser...

Lembrança

Não temos uma canção, só o que lembro é a ofengante sinfonia do nosso sexo.

Menina feia

Esta noite não sou eu,
sou a recordação entristecida da alma
Sou um órfão entre duas paredes de concreto
que mesmo que cedam, que mesmo que desmoronem
ainda são paredes
sem portas

Menina feia, de erros imensuráveis
Estais do outro lado
num campo de rosas
Descalça na terra que te fez crescer
nas orlas que me fez te amar

Grito, não me escutas
Grito até me deitar

Olho as estrelas que escrevi
para ver se me entende
Que não atravesso as paredes
Por medo de sofrer

A Jaqueta

Costuma-se encontrar um ao outro.

Costuma-se...

Decifrar segredos sem esforço

Sorrir ou chorar, um ao outro.

Sorrir ou chorar...

Em algum natal qualquer

Costuma-se vestir jaquetas de couro

Porque faz um frio imensurável

Costuma-se...

Dar presentes, um ao outro.

E dei

A saia mais bonita.

Preferiu a jaqueta.

Agora fica o silêncio.

Já tá na hora de se acostumar.

Outra vez assim...

A vida se dissipa em vida, me tirando de lado.

Eu vi com meus próprios olhos amanhecer sozinho

Se amolecer num fluxo de idéias

Que nunca não levam a nada.

Vi festejar em alegria

Vi chorar uma pura carta

Fiz desistir da minha

Por simples descaso

No entanto, encosto todo dia em suas letras

E rezo uma oração

Pra que sejas pura, somente isso.

Pois vou amanhecer sozinho

Sem uma carta, uma resposta ou um sorriso;

Ficas comigo?

Tentei manter em segredo o meu fevereiro

Destruí barcos que eram a ti nomeados

Nem o carnaval me apaziguava

Arrisquei parcerias termas

Montei num trem sem fim

Deitei a seu lado duas vezes

Sem precisar mentir

E desde então caminho

Agora nesse agosto chinfrim

Sem eira nem beira

Querendo ouvir um único sim.


Ficas comigo?

Escrito de um só

Mudei de nome por varias vezes e assim me reconheci

Cada dia sendo chamado enfim um Zé ninguém.

De vidro ou espelho é minha forma, mas não me formo.

Nem tampouco me conformo em não ser notado.

Anotei várias vezes os sorrisos que passam por aqui

Olho para trás sempre a certificar

De que um dia alguém, quem sabe, vá notar

Que é assim que sou

Na forma desse mal humorado

Que só queria ser adorado

Apesar de não ser ninguém.