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Meu sonho de criança
Lembrança
Menina feia
A Jaqueta
Costuma-se encontrar um ao outro.
Costuma-se...
Decifrar segredos sem esforço
Sorrir ou chorar, um ao outro.
Sorrir ou chorar...
Em algum natal qualquer
Costuma-se vestir jaquetas de couro
Porque faz um frio imensurável
Costuma-se...
Dar presentes, um ao outro.
E dei
A saia mais bonita.
Preferiu a jaqueta.
Agora fica o silêncio.
Já tá na hora de se acostumar.
Outra vez assim...
A vida se dissipa em vida, me tirando de lado.
Eu vi com meus próprios olhos amanhecer sozinho
Se amolecer num fluxo de idéias
Que nunca não levam a nada.
Vi festejar em alegria
Vi chorar uma pura carta
Fiz desistir da minha
Por simples descaso
No entanto, encosto todo dia em suas letras
E rezo uma oração
Pra que sejas pura, somente isso.
Pois vou amanhecer sozinho
Sem uma carta, uma resposta ou um sorriso;
Ficas comigo?
Tentei manter em segredo o meu fevereiro
Destruí barcos que eram a ti nomeados
Nem o carnaval me apaziguava
Arrisquei parcerias termas
Montei num trem sem fim
Deitei a seu lado duas vezes
Sem precisar mentir
E desde então caminho
Agora nesse agosto chinfrim
Sem eira nem beira
Querendo ouvir um único sim.
Ficas comigo?
Escrito de um só
Mudei de nome por varias vezes e assim me reconheci
Cada dia sendo chamado enfim um Zé ninguém.
De vidro ou espelho é minha forma, mas não me formo.
Nem tampouco me conformo em não ser notado.
Anotei várias vezes os sorrisos que passam por aqui
Olho para trás sempre a certificar
De que um dia alguém, quem sabe, vá notar
Que é assim que sou
Na forma desse mal humorado
Que só queria ser adorado
Apesar de não ser ninguém.