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Os olhos
Prece
Hoje perdi meus pensamentos mas não me vi solitário
Supliquei por Deus... Por ele não, por algum anjo que ouvisse
Em pleno rogo deitei sobre meus braços esgotados
Notando o frio da ausência de um anjo ou que sabe de uma falta de fé
Considerei que não precisara de anjo algum
Minha prece recaía sobre um ser mais genuíno e afetivo
Ausente feito anjo ou Deus, mas não pura, nem casta
Deitei novamente agora não mais em desespero
O calor já subia até minha compreensão
Seguro minha mão esquerda junto ao peito
Minhas preces já têm direção e uma casa
Falo quase sem voz, inaudível...
"Se me escutas saibas que te amo
Tua falta me traga, me engole"
Já encontrei meus pensamentos
Nunca estiveram perdidos
Estiver junto desta
Anjo ou Deusa
Pois sei que ela sim,
Onde quer que estejas... Me escutas...
Ainda Verão
Pela Manhã
Cedo acordei, sonhando estar dormindo.
Desejando ser chuva lá fora
Para banhar-me flutuo pelo ar úmido
Livre
Despertei atrasado e real
Com minhas mãos ao peito
Dividindo a antes pedra que havia aqui
Hoje a chuva tanto bateu que a pedra se foi
Escorreu num rio negro e se afogou
Mas a carne permanece rasgada ao meio
E é no fim de um dia que o rasgo machuca
Ao ver que estou de pés no chão
E que feito de pedra ou carne
Até sonhando há alguém que ainda faz doer.