BLOG FECHADO

02/10/2012

Os olhos


Menina, brinca com seus olhos sozinha
Veja no espelho o que seus olhos fazem

Mas nunca deixe uma lágrima cair
Para não estragar a brincadeirinha.

Ah esse teu sorriso meia boca.

Pisca pra tí mesmo, vá!
Pra ver se teu coração treme
Assim como treme o meu

Pobre arritimia
Que tanto sofre nessa investida

Brincadeira boba.

Menina, brinca com seus olhos sozinha!

Pois, além dos teus olhos
Já amo suas gracinhas.

Prece

Hoje perdi meus pensamentos mas não me vi solitário
Supliquei por Deus... Por ele não, por algum anjo que ouvisse
Em pleno rogo deitei sobre meus braços esgotados
Notando o frio da ausência de um anjo ou que sabe de uma falta de fé
Considerei que não precisara de anjo algum
Minha prece recaía sobre um ser mais genuíno e afetivo
Ausente feito anjo ou Deus, mas não pura, nem casta
Deitei novamente agora não mais em desespero
O calor já subia até minha compreensão
Seguro minha mão esquerda junto ao peito
Minhas preces já têm direção e uma casa
Falo quase sem voz, inaudível...
"Se me escutas saibas que te amo
Tua falta me traga, me engole"
Já encontrei meus pensamentos
Nunca estiveram perdidos
Estiver junto desta
Anjo ou Deusa
Pois sei que ela sim,
Onde quer que estejas... Me escutas...

Ainda Verão

Frio, no ultima noite de verão
Se você soubesse o frio que fez
Da inexistência
De um lúcido sonho
Queríamos o imensurável
A vida a dois, a três, em uma vida só
Fez frio na ultima noite de verão
Pois quando seguiu pelo corredor
Este que te fala perdeu a graça
O calor e a voz

Não teve forças nem pra dizer

"Ainda tinha um pouco de verão
pra gente passar junto"

Pela Manhã

Cedo acordei, sonhando estar dormindo.

Desejando ser chuva lá fora

Para banhar-me flutuo pelo ar úmido

Livre

Despertei atrasado e real

Com minhas mãos ao peito

Dividindo a antes pedra que havia aqui

Hoje a chuva tanto bateu que a pedra se foi

Escorreu num rio negro e se afogou

Mas a carne permanece rasgada ao meio

E é no fim de um dia que o rasgo machuca

Ao ver que estou de pés no chão

E que feito de pedra ou carne

Até sonhando há alguém que ainda faz doer.

Meu sonho de criança

Meu sonho é ser...
Um poeta sem sensibilidade
Um verdadeiro canalha
Que escreve em folhas sujas.
Sinceramente
Queria ter amantes
Varias delas
Queria luxuria e abundância
E ser amado pelo que tenho
e não pelo que sou
Eu queria ser outro que não eu
Quero tudo que não tenho
Pois quem é assim, me parece feliz.
Quero ser isso e todas essas coisas
que criança diz que deseja ser...

Lembrança

Não temos uma canção, só o que lembro é a ofengante sinfonia do nosso sexo.